
A questão é: CARACA, alguém precisava fazer isso. E a sensação de dever cumprido me alivia o cansaço. Mas, ainda mais do que isso, sei que traz alívio para a minha véia. E esse é o meu heroísmo do dia. Ah, que que é? Você não esperava uma capa né? Se superpoder não existe, eu vou jogar com o que tenho: esforço.
Mas o objetivo desse post não é chamar a atenção de vocês para a minha rotina de “férias” não tão agradável e sim para o pós-trabalho-escravo, aquela sensação de que o dia foi diferente porque EU VARRI A CASA, todiiinha. Ah, vamos lá, não fiz mais que minha obrigação. Eu sei disso. Mas não tenho grandes recursos para mudar o mundo.
Esse post é mais uma partilha do que qualquer coisa. Sei que vivo falando sobre esse assunto, aquela velha história de fazer a diferença com pequenos atos, mas é que o tema me parece sempre tão novo, digamos... renovável. Não queria que virasse clichê, mas eu preciso insistir no que é bom e simples, talvez porque atitudes ousadas me assustem, apesar de necessárias, ou talvez seja só porque tantas vezes é o pequeno que me prende. Mania de pequenez? Acho que não. Só acho que há um leve erro de conceito, já que o que chamam de pequeno, tantas vezes, me parece gigante, imenso, enorme.

Ela sentou, secou o rosto, respirou fundo e bebeu com prazer a água gelada que lhe apetecia. Apesar do cansaço e do calor, ela pensou: eu realmente deveria fazer isso mais vezes. Não que se sentisse exatamente grata por ter que fazer aquilo, mas se sentia satisfeita. Olhou o relógio. “Daqui a pouco mamãe chega. Tomara que ela repare, porque eu não vou dizer nada”, falou ela para si mesma. Correu para o banho, e junto com os resquícios de poeira, desceram para o ralo seu comodismo e sua culpa. Agora ela estava limpa. Cansada, mas limpa.