sábado, 20 de fevereiro de 2010

Arvorear...


Texto inspirado em palavras de Victor Hugo Nascimento.

Ser árvore... o que será que isso significa?
Uma árvore é formada de raiz, caule, folhas, podendo ter flores e frutos, ou não. Relembrando o que a tia Tetéia um dia nos explicou na terceira série, os frutos são os que conduzem a semente e servem de sustento e benefício para o homem e os animais. Em outras palavras, alimento. Já as flores são os órgãos da reprodução sexuada das plantas superiores, permitindo assim o surgimento de novas árvores com a mesma essência da “original”.
Como já sabemos, as folhas caracterizam a árvore e é a partir delas que todo o ser vegetal respira, logo sobrevive. O canal que liga a raiz às plantas superiores é o que nós chamamos de caule. E por fim, chegamos à raiz, cuja função fundamental é fixar o organismo vegetal e retirar do solo os nutrientes e a água necessários à vida da planta.
Teorias a parte, queria te convidar a um novo olhar sobre tudo isso. Ouse um pouco e experimente se enxergar como árvore. Lembrando que para que todo o organismo vegetal funcione bem, cada parte precisa estar bem definida e com a consciência de que trabalha em conjunto. A raiz não teria importância se não houvesse a quem nutrir, sustentar e fixar. E bom, é evidente que as folhas morreriam sem a raiz.
É interessante notar que a mesma árvore que dá sombra agradável, embeleza e alimenta, precisou de muitos e muitos anos para chegar a um estágio desses, algo que passa a fazer com frequência, constância e naturalidade, a não ser que o solo, ou as condições não sejam favoráveis.
Antes de se abrir em um amontoado de folhas, a raiz, o caule e as plantas aprendem a interagir, aprendem a dose e o momento certo de trabalharem. E crescem.
Ao crescer dão frutos e flores, mas como se não bastasse a beleza que trazem com esses processos, se doam ainda mais. Para alimentar o outro, dão parte de si e se deixam ser parcialmente trituradas, mastigadas e engolidas, repetindo sempre o mesmo processo, por mais doloroso que seja. Além disso, percebem a necessidade de levar esse bem a outros lugares, expandir o bem, porque reconhecem-se não suficientes. Deixam suas partes serem transportadas pelos pássaros, abelhas...
Enfim, haja vida para ser árvore, hein... Pode parecer uma analogia boba, mas não é se você prestar bem atenção.
Aonde eu quero chegar com tudo isso? Nada muito complexo...
Quero te convidar a ser árvore. Perceber que se doar ao outro é importantíssimo e extremamente gratificante, mas requer dor. Buscar a Deus, sem querer entender os porquês de Suas vontades, assim como a árvore busca o sol, sem saber o que ele é, porque precisa dele. Acredito que arvorear seja dar sombra, conhecer a si mesmo, entender as suas particularidades, se dar em alimento, ver a necessidade de fazer brotar outras sementes com a mesma essência e por mais que talvez os galhos quebrem e as folham caiam, a raiz permanece firme em um solo que não cessa de nutrir. Um solo que nós chamamos de Deus.
Eu só quero que você se atente aos fatos e consiga ter um novo olhar, de quem sabe que a paciência traz grandes consequências, não em tamanho, em qualidade, e que a dor muitas vezes é necessária, quando não caminho, para ser mais. É preciso saber abrir mão de algumas partes que parecem tão nossas, para chegar a estágios mais altos, renovando-os constantemente.
Lembrando que existem árvores que não dão frutos, nem tem flores, mas estas não exalam perfume, nem enfeitam, embelezam, ou chamam atenção. Por outro lado, elas se privam das dores de se doar e não precisam de processos tão longos pra chegar ao seu limite. A árvore que você quer ser é você quem escolhe. Eu já tenho a minha decisão. Qual é a sua?
Reconheçamo-nos então um arboreto, árvores diversas, com funções diversas, mas um arboreto diferente porque temos um mesmo fim: a vida verdadeira e em abundância.
Arvoreie, com tudo o que isso exige e significa para você! Você vai entender depois de algum tempo, que ser árvore requer muita, mas MUITA humanidade.

“A sua maneira de ser para mim, já poda o que há de ruim!”
Vamos cuidar do nosso jardim? =D

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Não mata, não engorda e não faz mal!


Aaah, o carnaval!!! Época gostosa demais. É muito bom perceber que, nessa época de carnaval, nós, os brasileiros, passamos a nos tratar de maneira bem mais educada, igualitária. Ninguém repara no que você está vestindo com olhar de avaliação, afinal no carnaval cada um é livre para vestir o que quiser. Ninguém se importa se você mora em Copacabana ou na Pavuna, se você é funkeiro ou rockeiro, se é idoso ou ainda muito novinho. As pessoas estão preocupadas em se divertir, dançar, pular, rir. É tão interessante tudo o que a gente vê no Carnaval... Senhores dançando com as netinhas, todo mundo disposto a desejar um ‘bom dia’ ou um ‘feliz carnaval’ para qualquer desconhecido, amigos descobrindo novos jeitos de se divertir. Não estou falando das novidades supostamente tão normais. Essa coisa de beijar na boca de uns 30 desconhecidos por dia e achar que isso tudo é só estar curtindo o momento. Mas se for para ser tratada com muito mais atenção pelos outros e ver que as pessoas se respeitam mais e se aceitam mais, eu queria Carnaval o ano inteiro. É claro que não seria muito conveniente acordar cinco e pouca da manhã, andar como um zumbi até o metrô e de repente me deparar com uma multidão pulando e cantando o novo samba-enredo da Beija Flor, mas seria muito gratificante receber alguns sorrisos assim que eu entrasse no metrô, pronta para ser esmagada por todos os trabalhadores e estudantes. Tenho certeza de que os sorrisos fariam toda a diferença na minha vida diária.
Veja bem. O que eu estou dizendo não é que eu quero aquela zona para minha vida, já bastam quatro dias por ano. Até porque toda zona tem um momento de caos. E o bom senso define o carnaval de cada um: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”¹ . Mas se for preciso esperar o carnaval para perceber mais humanidade nas pessoas, um olhar de mais acolhimento, eu declaro agora o meu carnaval diário.
Não espere o próximo carnaval para ser atencioso. Ele passa muito rápido e só acontece uma vez por ano. A gente pode não sentir a diferença que algumas pequenas atitudes fazem, mas algumas pessoas, como eu, se sentem mais satisfeitas quando se vêem queridas e acolhidas. A frieza é um mal completamente desnecessário e muito doloroso para quem dele é alvo. Divirta-se no Carnaval que você escolher, porque, no final das contas, quem faz o seu Carnaval é você! =]

1-I Coríntios 6, 12